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sexta-feira, 1 de abril de 2011

O (Des) Encontro

Aviso: Antes de ler esse conto leia " O (Re) Encontro "

Era para ser um encontro entre um noivo e uma noiva.

Raquel estava ansiosa com aquele encontro.

Ela adorava aquele parque cheio de histórias e momentos felizes, mas esse não era o único motivo de sua ansiosidade, aquele aniversário de namoro seria especial. Após alguns anos sem troca de presentes, Raquel decidira quebrar a nova tradição e comprar um presente para os dois, uma desejo antigo, nunca realizado.

Saiu do trabalho e foi direto para o local indicado no site para fazer a inscrição. Depois de umas curvas aqui, outras ali, voltar para o caminho certo, conseguiu chegar no lugar e fazer a inscrição. Um curso caro era aquele, mas ela sabia que o investimento valia a pena.

Agora era só atravessar a cidade, chegar ao parque e ter uma noite de celebração maravilhosa. Mas foi aí que o rumo das coisas começou a ir para um lugar não desejado.

Tudo começou com um engarrafamento, e ao pegar o celular para avisar Leon que chegaria atrasada, percebeu que o celular estava sem bateria. "Ótimo!" - pensou - "Era só o que me faltava, vou chegar atrasada. Mas ao menos eu sei que o Leon irá me esperar...".

Um tempo depois consegue estacionar e se dirigir ao banco de sempre. Chegando lá, viu que seu noivo estava em uma conversa animada com uma mulher que nunca vira antes. E, quando ela começou a se aproximar, viu algo nunca imaginado acontecer, um beijo entre seu amado e a aquela mulher desconhecida.

Ao ver a cena, um desejo de sair daquele lugar o mais rápido possivel, tomou conta do seu interior. Ao se virar, sem nem perceber, deixou cair o envelope contendo o presente de aniversário dos dois.

Ela se dirigiu ao carro sem nem olhar para trás, ao chegar em casa, colocou algumas roupas em uma pequena mala usada para passeios de fim de semana, deixou um bilhete em cima da cama e partiu para um hotel.

Ao chegar no quarto, a única coisa que Raquel conseguia fazer era chorar, e se perguntar o por que daquele beijo.

domingo, 4 de julho de 2010

O (Re)Encontro

Era para ser um encontro entre um noivo e uma noiva.
Leon estava esperando, sentado no banco em frente ao lago, quando, inesperadamente, uma amiga da faculdade de muitos anos atrás passou por ali, fazendo uma caminhada.

Ela parou e o reconheceu. Ele se lembrou que, ao longo da faculdade, acabou gostando de Judith, e sempre se arrependeu de não ter ficado com ela. Como ela estava linda!

Naquele momento ele, inconscientemente pediu ao universo para que sua noiva se atrasasse, para que pudessem conversar:

- Leon? Há quanto tempo!

O sorriso dela continua o mesmo, lindo.

- Oi Judith, como você está?

Pronto, isso foi o suficiente para ela sentar e eles começarem a conversar. Que conversa! Leon se sentia vivo a cada palavra, cada expressão, cada sorriso.

Judith havia acabado de sair de um relacionamento ruim, um namorado que não se importava com ela. Ele estava feliz, extremamente feliz com Raquel, mas, toda aquela conversa o fez voltar para a época da faculdade, e com essa volta, as vontades voltaram também. Por um momento ele se sentiu de volta à faculdade.

Discretamente ele tira a aliança, escondendo-a no bolso, e fala a mentira que deveria ter dito no ultimo dia de aula, conhecendo os princípios de Judith:

- A gente terminou, acabou que num relacionamento real, não era bem aquilo que esperávamos.

Quando seus lábios cerraram novamente o peso da frase dita havia caído sobre seus ombros. Agora era tarde, uma vez movida a peça no xadrez, não tem volta. Mas, sem muita demora, Judith o fez esquecer o peso da mentira, quando, delicadamente, ela colocou sua mão sobre as dele.

A conversa perdurou por mais um tempo, mas agora eles estavam lembrando de todos os momentos que um jogava indiretas para o outro. Esse momento foi regado por risos, toques e olhares onde o desejo deles ficava cada vez mais claro.

Judith olhou o relógio, ela tinha que partir. Mas antes, pediu para Leon anotar seu telefone. E assim ele o fez. Ela se levantou e o puxou para o abraço de adeus, mas nesse momento, o beijo que estava guardado a anos.

Ela se foi, e ele ficou ali, sentado no banco incrédulo com o que havia acabado de acontecer. Até que a realidade voltou e ele começou a pensar em como contaria aquilo para Raquel. Foi então que notou um envelope com a letra do amor da sua vida “ Feliz aniversário de namoro”. Ela viu tudo. Ela sabe do beijo. Ela se foi.

Leon pegou o envelope e começou a procurar por ela, sem sucesso.

Ele se sentou e abriu o bilhete.

“Eu sei que nós deixamos de comemorar o nosso aniversário de namoro, mas, hoje eu senti que deveria fazer isso. Lembra aquela vez, no começo de tudo quando falamos que gostávamos de tirar fotos, e, acabamos prometendo que um dia faríamos um curso juntos? Então, esse papel aí dentro, é a confirmação da nossa inscrição. =]

Espero que goste. Obrigada por me fazer feliz todos esses anos. Te amo."


Ele pega o celular e liga pra ela, desligado. Arrependido, ele volta pra casa, esperando que ela esteja lá. A única coisa lá era um bilhete em cima da cama.

“Fui para um hotel, não quero conversar com você agora. Preciso de um tempo para processar as coisas, não se preocupe, estou muito ruim para pensar no meu lado vingativo agora.”

Ele deitou ali, pensando no que fazer.

Não deixou de ser um encontro, mas não, entre um noivo e uma noiva.

Leia também, " O (Des) Encontro "

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Manchetes

Ela vagava na noite fria sem rumo. Apenas andava vendo as luzes da cidade que iluminava o caminho não sabendo para onde iria. Só queria se afastar de lá, ir para o mais longe possível de todos e tudo. Carregava apenas um casaco, algumas roupas e alimentos dentro de uma mochila jeans antiga e sua alma quebrada. A noite a encobria como uma coruja às suas crias. Se sentia abraçada e acolhida por ela. Mas mesmo esse sentimento não durou por muito, todas as vezes que se lembrava da noite que passou, seu rosto era regado por lágrimas salgadas que saiam direto de seu coração.

Começou a ouvir trovões ao longe, uma tempestade se aproximava, mas não se importava com ela, preferia assim, talvez a chuva lavaria o sangue que carregava em suas mãos e alma. Nessa caminhada viu coisas que nunca havia reparado antes na cidade, tudo escancarado, para todos aqueles que tiveram seu coração despedaçado no passado. Ela começou a se perguntar o por que de nunca ter visto toda a dor que o rosto das pessoas demonstravam. A chuva nunca caiu.

Passou em frente a um clube, que estava tocando uma das musicas que mais gostava, acabou entrando para tentar esquecer aquela maldita noite sem fim. Foi direto para o banheiro, lavou as mãos, o rosto, e entrou na pista de dança, focando apenas nas notas que compunham aquela musica. Dançou até esgotar-se. Foi até o bar e pediu uma bebida. Um rapaz que nunca tinha visto na vida se ofereceu para pagar, ela aceita na hora, pensando no pouco dinheiro que carregava. Depois dessa, veio outra, e mais outra, e mais outra... A conversa com o rapaz era superficial, mas ao menos ela estava comendo e bebendo de graça. Ele perguntou se ela gostaria de ir para a sua casa, ela disse que não via problema algum, precisava mesmo de um lugar para passar a noite.

Ela se dirigiu para o carro dele, e lá mesmo, no estacionamento do clube, ele começou a beijá-la e acariciá-la. Ela percebeu que precisaria de mais algumas bebidas para conseguir ao menos fingir que estava bom. Ele topa a ideia, compram bebida e ele começa a dirigir para seu apartamento, que fica um pouco longe do centro da cidade.

Bêbada, sobe as escadas do prédio dele quase caindo. Ele mal a espera a porta se fechar atrás deles, já começa a tirar a roupa dela e beija-la, acaricia-la, penetrá-la. Ele logo goza e dorme, o que ela acha ótimo, finalmente poderá dormir. Acorda mais cedo que ele, toma um banho, prepara um café, pega o dinheiro que ele carregava na carteira e sai daquele apartamento para nunca mais voltar.

Volta a caminhar pela cidade, agora iluminada pelos raios de sol e sorrisos das crianças que iam em rumo ao parque. Encontra um jornal abandonado num banco e lê a reportagem de capa: "Casal assassinado a facadas, suspeita-se da filha, agora desaparecida". Ela deixa o jornal onde estava e continua a andar pela cidade.

Chegou à praia, contemplou a imensidão azul que se fundia com o céu, deu um mergulho, saiu do mar e ficou observando o céu por entre as folhas de um coqueiro. Nesse momento decidiu o que fazer.

Caminhou rápido para a estação de metro, comprou o ticket, quando avistou as luzes se aproximando respirou fundo, e pulou. Nunca chegou a ver a reportagem de capa do jornal do dia seguinte:
"Adolescente encontra morte trágica ao cair nos trilhos do metro."

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A autoria é da Ysa. Ela me pediu pra postar aqui, no lugar dela. ;)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Mundo Vermelho

Mais uma vez o assunto do jantar era Soraia. Seus pais sempre implicavam com seu jeito estranho de agir, de falar... Nunca estavam satisfeitos com as atividades que fazia e não se incomodavam quando seu irmão mais velho sacaneava com ela. Essa noite jantou em silêncio tentando bloquear as vozes que falavam absurdos sobre ela. Apenas queria voltar a praticar o que fazia de melhor: tocar violoncelo, mas não podia, já que seus pais a tiraram da aula para pagar as aulas de futebol do irmão.
Terminou de comer, pediu licença para se retirar da mesa e foi para seu quarto, o único lugar do mundo onde se sentia livre, colocou para tocar o primeiro cd de clássica que achou: Tchaikovsky. Deitou em sua cama e adormeceu, pensando em como poderia deixar seu mundo melhor. Sonhou com um mundo vermelho, novo e diferente, onde ela podia sorrir e andar por corredores onde os únicos olhos que a encaravam eram os das pinturas nas paredes.

Soraia já estava acordada quando o sol começou a iluminar o céu. Em poucos minutos a casa iria acordar e o sossego que tanto gostava, acabaria. Foi tomar banho para ir à escola, e quando a água quente tocava seu delicado e pálido corpo começou a ouvir um sussurro que não vinha de fora daquele banheiro. Uma voz em sua mente havia acabado de despertar.

Não queria ir para a escola, mas essa não era uma opção para ela. Aproveitava qualquer oportunidade que tinha para sair de casa, pois não suportava a idéia de ficar naquele lugar mais tempo que o necessário

Sentiu um cheiro bom vindo da cozinha, e se entristeceu com isso, pois estava atrasada para o café da manhã. Mais motivos para brigas. Rapidamente penteou seus longos cabelos negros e desceu para se juntar àquela família que tanto repudiava.

Depois de cinco horas, caminhava por aquela paisagem cinza de dezembro, a caminho de casa, fingindo que ouvia seu irmão falar de suas notas medianas. Só conseguia pensar na bronca que iria levar quando aquele que chamava de pai descobrisse sua nota vermelha em aritmética.

Chegou em casa, disse olá para seus habitantes mas, como de costume, não recebeu resposta. Subiu as escadas, tirou o uniforme colocou-o na cadeira ao lado de sua cama e ficou se perguntando o porque de ter que usar saia e sapatos para ir à escola. Não conseguiu pensar em uma resposta digna e ficou reclamando de seu tão odiado uniforme escolar.

Desceu calmamente para o almoço com o boletim nas mãos. Entregou-o para seu pai e esperou por sua reação. Não a positiva por seu ótimo desempenho em todas as matérias, mas a negativa por ter falhado em uma. Olhava para as veias que apareciam em seu pé quando sentiu cinco dedos seguidos por um ardor em sua face direita, isso a fez despertar de seus pensamento para encarar seu pai que estava com aquele olhar de desprezo e descontentamento que tanto conhecia. Parou de ouvir a bronca quando os lábios de seu pai falaram que ela era o desgosto daquela família.

Passou o resto do dia morando em seus pensamentos.

À noite, sonhou novamente com o mundo manchado de vermelho, com os quadros. Percebeu que estava em sua casa, mas ela estava estranhamente calma, começou a escutar sua música favorita que vinha da sala, mas ninguém reclamava por estar tocando “aquela musica de gente velha e chata”. A casa estava deserta. Soraia se sentiu feliz por estar sozinha. Começou a ouvir uma voz acalentadora que surgia de seu interior e que não parava de repetir: “permita-me te guiar minha princesa, eu poderei criar esse mundo calmo e perfeito para você...”. Subiu as escadas, se deitou, e adormeceu ouvindo aquela doce voz e sua música. Acordou com sua mãe gritando que se não levantasse naquele instante, iria levar uma bela surra.

Agora, Soraia desejava a noite, para poder dormir e sonhar com aquele lugar que apenas na disposição das paredes e dos móveis se parecia com sua casa.

Depois de um par de meses, o sonho mudou. Estava deitada no tapete da sala escrevendo a partitura daquela música que tanto adorava quando ouviu passos se aproximando. Pensou que sua paz estava acabada, mas notou que aqueles passo não a deixava nervosa, mas ao contrário, a traziam uma sensação de paz.

Os passos pararam junto à porta da sala e a doce voz falou: “olá minha princesa.” Nesse instante ela se levantou e viu uma bela mulher uns dez anos mais velha que ela, usando um belo vestido branco rendado, cabelos separados em duas tranças e pés descalços. Soraia pediu para ela se sentar e ofereceu a ela o que comia, biscoitos de chocolate e leite. A moça sorriu e aceitou. As duas se sentaram no sofá e começaram a conversar. Nesse instante Soraia percebeu os finos e belos traços de sua convidada inesperada.

Conversaram sobre os desejos e sonhos de Soraia. De sua família, do quando gostava daquele mundo vermelho. Nesse instante a Moça de Branco falou que se ela permitisse, poderia transformar o mundo real no mundo vermelho que tanto gostava. Uma pontinha de dúvida surgiu no pensamento de Soraia, mas esta logo se foi, e ela disse sim. Logo após seu sim, a casa vermelha foi invadida por um barulho forte e não harmonioso que Soraia logo identificou como seu despertador.

Naquela tarde, sem saber ao certo o porque, Soraia decidiu visitar o sótão de sua casa, que guardava coisas de suas gerações passadas. Lá encontrou um baú que pertencera à sua avó. O abriu com cuidado e deu uma olhada dentro dele e ficou surpresa ao encontrar o vestido que a Moça de Branco usou na noite anterior. Sorriu para si mesma contente pelo achado e levou o vestido para seu quarto.

A noite chegou, e ela dormiu esperando ansiosamente para que o sonho chegasse.

Abriu os olhos e se deparou com o teto de seu quarto, sabia que estava em seu adorado mundo vermelho. Saiu rapidamente da cama e colocou o vestido de sua avó. Sentiu-se linda dentro dele. Desceu as escadas e chegou à sala onde viu a Moça de Branco, que a recepcionou com um largo sorriso.

Começaram a conversar - Soraia gostava de conversar com ela – e enquanto conversavam a Moça de Branco fez duas tranças no cabelo de Ellen, ao final da conversa as duas estavam iguais, exceto pela idade que aparentavam.

A Moça de Branco pediu para ver o resto da casa, e Soraia se dispôs a mostrá-la para ela. Passaram pela cozinha e foram para o andar de cima onde ficavam os quartos. Soraia abriu todos os cômodos da casa para que a Moça de Branco pudesse vê-los com clareza. Passou pelo quarto do irmão, e dos pais. Estranhou quando a Moça de Branco caminhou em volta da cama de cada um deles, mas preferiu não fazer perguntas.

O último cômodo que entraram foi seu próprio quarto. Lá, Soraia colocou novamente sua roupa de dormir e a Moça de Branco a colocou na cama, deu-lhe um beijo na testa e desejou-lhe boa noite. Antes de fechar a porta do quarto disse-lhe: “Pronto minha princesa, seu mundo vermelho está criado.” Soraia fechou os olhos e depois de poucos instantes o despertador começou a tocar.

Abriu as janelas e viu que o sol estava despertando. Tomou um demorado banho. Ao sair do banheiro notou respingos vermelhos no vestido branco, mas não se importou, talvez eles já estivessem lá. Desceu para tomar café da manhã e não viu ninguém. Preparou algo para comer, foi para a sala, colocou musica clássica no som e não ouviu nenhuma voz reclamando. Passou o dia na mais tranquila paz. Foi para a cama e dormiu. Ficou brincando a noite toda com a Moça de Branco. Acordou na hora certa para ir à escola. Vestiu o uniforme e enquanto descia as escadas estranhou mais um dia sem aqueles que habitavam a casa. Começou a imaginar o que estava acontecendo.

Ao voltar da escola viu viaturas paradas em frente ao que começou a considerar de lar e correu para saber o que estava acontecendo. Não quiseram revelar detalhes, mas sua família fora assassinada. O fato de Soraia não chorar ou demonstrar qualquer sentimento chocou os policiais que estavam no local do crime.

Ela agora era órfã. Pediu para continuar na casa, podia se virar sozinha – explicou para todos que estavam naquele lugar- mas estes a explicaram que ela não poderia ficar naquele lugar.

Dentro de uma viatura, seguia para a casa de uma tia que morava longe, a única que aceitou ficar com aquela menina estranha. Soraia olhou para o retrovisor do carro e viu a Moça de Branco, nesse instante seu coração se acalmou. Ela sabia que tudo ficaria bem.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Manchas Escarlates, parte final

Ela acordara aquele dia com medo. Não conseguiu dormir na noite anterior e estava feliz por já ser noite; aquele dia terrível estava terminando. Fazia cinco anos que passara por aquela experiência horrenda. Ela nunca esqueceu o que sofreu. Todos os dias se lembrava daquelas horas de dor interminável. Mas nos aniversários da data, parecia que a dor retornava junto com as lembranças...

Ela lembra claramente que foi um dia regado a devaneios, sendo corroída pela dúvida de não saber se sobreviveria àquele dia que havia terminado tragicamente. Estava perdendo sangue aos poucos. Imaginou o corpo do marido, lembrou-se de todos os planos que havia feito. Não sabia se queria continuar viva. Apenas desejava que a dor parasse. Viu a luz do sol resistindo à densa cortina, a dor estava diminuindo... seu corpo parou de resistir às correntes que a amarravam... viu seu marido descendo as escadas com um belo sorriso no rosto. Mas quando se aproximou dela, o belo sorriso se transformou em um maquiavélico e aquele não era mais seu marido, mas sim o homem que a torturara... procurou força para gritar mas não a encontrou; nesse instante ele desapareceu como um fantasma. Estava delirando.

Lembra-se do telefone tocando, vozes às vezes histéricas e às vezes preocupadas falavam para uma secretária eletrônica. Será que demorariam para encontrá-la? Será que sentiriam falta dela?! O que seria da vida agora? Encontraria forças para seguir com sua vida caso sobrevivesse àquilo? Será que ele pagará pelo o que fez? Perguntas que ela não sabia a resposta.O sol começou a sumir da sala, a escuridão apareceu, e com ela, o desespero. Será que ele voltaria para torturá-la ainda mais?! Um dia se passara e ninguém a havia procurado. Será que estava fadada a morrer naquele lugar? Uma chuva fina começou a fazer barulho nas janelas de vidro, um vento frio invadiu a sala. O frio que sentia no seu coração estava se materializando no exterior.O sol estava aparecendo novamente na sala, mas a noite não levou consigo o frio. Estava pensando em como havia vivido até aquele momento, chegou à conclusão de que certamente iria para o inferno. Se arrependeu das escolhas erradas que fez no passado. Desejava ter tido a força necessária para lutar contra seu pai. Sabia que seu destino seria diferente se tivesse lutado. Imaginou um futuro diferente: nesse instante ela percebeu que aquele era o homem que sempre amou.Seus pensamentos foram interrompidos por alguém batendo na porta. A voz era de sua vizinha, tentou gritar mas não tinha força para tal, será que ela iria tentar abrir a porta? Um fio de esperança aqueceu seu peito. Ao ouvir a maçaneta girando, o barulho da porta se abrindo, percebeu que estava salva.Aos poucos foi voltando para sua nova vida. Havia cinco anos que estava em uma outra cidade, com um outro emprego e uma nova casa. Todos acharam que ela deveria fugir daquele local de péssimas lembranças. E assim foi feito. Fingia escutar o noticiário local quando ouviu a campainha tocar. Sentiu medo. Foi até a porta e hesitou ao abrí-la. Por ser cedo, abriu-a... Ao olhar na porta, o desespero tomou conta de seu corpo. A máscara de sorriso macabro e um pedaço de papel azul escrito "Agora sim chegou a sua vez" pousavam em seu tapete. Olhou desesperadamente para os lados, trancou a porta e ligou para a polícia. Nesse instante uma mão tampou sua boca e um corpo grande e forte a abraçou por trás. Rapidamente teve seus braços presos por uma algema, sua boca amordaçada e seus pés amarrados por uma corda. Ele olhou profundamente em seus olhos, tirou a mordaça e lhe beijou. Lágrimas começaram a escorrer por sua face nesse instante. Ela queria dizer algo, mas o medo havia levado sua voz embora. Ele a fez engolir a chave das algemas, pegou um saco plástico e colocou em sua cabeça amarrando-o bem forte. O ar em poucos minutos começou a ficar rarefeito dentro daquela armadilha plástica. Se debatia loucamente no chão, procurando por oxigênio em algum lugar... Seu corpo de repente parou.O último rosto que viu foi o de seu amor e carrasco. Ele caminhou em direção à maciça porta de madeira, girou a maçaneta, limpou os pés, e saiu de lá com a cabeça erguida e a sensação de dever cumprido. Ao longe, ouviu o barulho de sirenes vindo em direção àquela casa.
Estava terminado.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Manchas Escarlates, parte 02

Seus olhos foram abrindo vagarosamente, a luz vinda do lustre inundou sua visão, deixando-a cega por alguns instantes. Tudo isso foi um pesadelo?! -pensou. Tentou se mover, não conseguiu, algo estava prendendo suas pernas e braços, estava amarrada... A realidade a atingiu como um banho gelado, esta nua numa maca, presa por seus pulsos e canelas. Olhou para sua direita e o viu sentado no sofá, a encarando com aquele sorriso macabro no rosto, segurando uma taça de martini vazia. Olhou para sua esquerda, viu objetos que a fez sentir um frio na espinha.

Ele se levantou, colocou a taça na mesa ao lado do sofá soltou um suspiro de satisfação e começou a falar sobre coisas. Coisas que aconteceram em um passado: uma cadeia estadual, uma cela lotada, sofrimento, anos sem uma visita sequer... E coisas que aconteceram em um passado distante: um olhar, uma paixão de escola, um encontro, um namoro.


Isso fora suficiente para fazê-la lembrar de seu passado há muito esquecido. Ele, foi seu primeiro namorado. Era uma tarde de inverno, faziam um trabalho de quimica que ficou pronto bem antes do esperado. A casa estava vazia, e ficaria assim por mais três horas. Um abraço se tornou um beijo e esse beijo foi o caminho para a entrega... e em pouco tempo os dois estavam nus, explorando o corpo um do outro como dois vampiros sugando sangue novo. A inexperiência e o medo não os impediram de se entregar ao desejo e ao amor. Aconteceu ali mesmo, na sala de estar da casa dele. Um momento único de paixão, entrega e saciação. Ela, saiu da casa dele mulher, mais apaixonada e com a certeza do desejo de passar o resto da sua vida ao lado dele. Mas essa não foi a visão de seus pais, que fizeram com que aquele momento especial se tornasse um pesadelo. Seu pai falou que ela fora estuprada, e ela nada negou. Todos acreditaram. Ele, foi condenado ao cárcere, e ela, a consultas com um psicólogo para amenizar o "trauma". Agora sabia o porque de estar passando por aquilo... a sede que ele tinha não era de seu sangue, era de vingança.


Ele tocou seu rosto frio e suado, falou de como sua beleza não havia mudado, de como seu corpo continuava lindo e desejável... Falou que nesta noite ela iria passar por tudo que ele passou nos anos em que esteve na cadeia. Rapidamente ele se despiu. Começou a acaricia-la com mais desejo, passando suas grossas mãos por seus fartos e delicados seios. Ela sentiu nojo de si e dele, pediu inúmeras vezes para ele parar, mas isso apenas o motivou a continuar. Há quanto tempo estava sem tocar um corpo macio de mulher? Desejava aquilo desde o dia em que planejou sua vingança. Aquela era a hora do predador se deliciar com sua presa. Estava em cima dela. O fato dela estar amarrada só aumentava seu prazer. Ela estava chorando, implorando para ele parasse com aquilo. Ele deu um tapa em seu rosto e falou que estava apenas fazendo o que ela disse, cometendo o crime que o fez ir para a cadeia. Ele chegou no ápce do prazer, percebeu o quão bom era fazer aquilo.
Ela, continou chorando...


Agora, já vestido, falou para ela que iria faze-la sentir todos os sofrimentos que ele sentiu quando estava na cadeia. Com um pedaço de silver tape a amordaçou, pegou um alicate que estava posicionado na ponta da mesa e começou a arrancar-lhe as unhas, falando que cada uma representava as torturas sofridas por ele na cadeia. Seus gritos de dor foram abafados pela fita, mas seus olhos mostravam o quanto doía. Quando terminou, haviam dezessete unhas no carpete manchado de sangue. Para não infeccionar ele pegou um balde de alcool e mergulhou suas mãos e pés. Ele disse que se preocupava com sua saúde.


A única coisa em que ela conseguia pensar era no quanto queria morrer. Desejava isso profundamente... Seus pensamentos foram interrompidos pelo fino corte de uma lâmina, uma dor aguda passou por todo seu corpo e foi traduzido por uma lágrima que escorreu pelo seu rosto. O que era aquilo agora?! Sentiu outro corte em sua perna esquerda, e outro, e outro. Ele então parou e disse: "-Isso minha querida, são pelos dias que passei na cadeia" - o horror ficou claro em seu rosto - "ainda faltam dois mil cento e oitenta e seis cortes... olha que interessante faltam exatamente três horas para o nascer do sol. Temos tempo de sobra para fazer o que quisermos." Nesse momento ele a beijou nos lábios e continuou a corta-la.


O carpete estava escarlate por ter absorvido o sangue que escorria dos pequenos cortes. Seu corpo todo ardia... ela não suportava mais aquilo. "Será que ele não vai parar?" - pensou. Ele lentamente se afastou de seu corpo, foi até o bar e preparou outro martini. Olhou o relógio, faltava menos de meia hora para o sol iluminar aquela luxuosa sala de estar. Ele pegou a taça de martini, sentou-se no sofá e bebeu observando o que ele considerava ser uma obra de arte viva. Terminada a bebida, ele se levantou e se aproximou dela, olhou no fundo de seus olhos castanhos, falou algo que ela não conseguiu entendeu, estava quase desmaiando... Ele pegou o balde de álcool e jogou o líquido por seu corpo. A dor extrema a fez se contorcer despertar. Ele disse que estava na hora de ir... que adorou as horas de diversão. Ela olhou para ele pedindo piedade, ele virou para ela e disse: "Espero que alguém sinta sua falta e venha à sua procura, seria uma pena você morrer agora e dessa maneira...".


E lá ela ficou, amarrada em uma maca com um tecido não mais imaculado, nua, com o corpo sangrando, sentindo uma dor que nunca havia sentindo antes, torcendo para que alguém a resgatasse. Aos poucos foi perdendo a força que havia restado, então, seus olhos se fecharam enquanto o sol nascia.



sábado, 15 de agosto de 2009

Manchas Escarlates, parte 1

Ela ouviu a campainha tocar, olhou o relógio, era tarde... vestiu o roupão cor de cereja e começou a descer as escadas, se perguntando quem podia ser aquela hora.
Ao abrir a porta viu que nada havia lá além de um pequeno pedaço de papel azul escrito "não se preocupe, ainda falta você".
Ela, nada entendeu, trancou a porta e subiu as escadas pensando no quanto trabalho teria para fazer ao amanhecer.

Ao abrir a porta de seu quarto, o choque... encontrou seu marido banhado em seu próprio sangue, sem vida. A primeira reação que teve foi gritar por socorro, mas ninguem a escutaria, já que todos os empregados naquele instante se encontravam na mesma situação que seu marido.
O desespero tomou conta de seu corpo... o assassino estava em seu lar. Ele poderia estar em qualquer lugar daquela enorme casa.
Agora o bilhete que ela encontrara na porta fazia sentido, ela seria a próxima... mas porque não a matara antes? Por que a deixara viva para ver o amor de sua vida morto?! Ela não sabia o que fazer...

Será que ele estava em seu quarto? Começou a procurar desesperadamente, constatou que não. Trancou a porta, e começou a chorar pelo seu marido, pegou o telefone para ligar para a polícia, ele estava mudo. "Será que ele cortou os fios do telefone?" - Pensou - "muito provavelmente". Lembrou-se do celular, procurou sua bolsa pelo quarto, mas parou ao se lembrar que sua bolsa que se encontrava na sala de estar, do outro lado da casa... procurou pelo celular do marido, não o encotrou. Viu uma marca de sangue onde ele deveria estar, o assassino o pegara.

Sentou-se em posição fetal e pensou, pensou no que poderia fazer para sair daquela situação, pensou no que seria da sua vida. Não conseguiu visualizar um futuro.

De repente, escutou passos do lado de fora do quarto, o medo apoderou-se dela mais uma vez, ela sabia que era aquele que matou o seu marido. Ele estava em frente a porta, imaginou o que ele estava pensando agora, será que ele tinha sede de sangue?! De seu sangue?! Pensou em abrir a porta e o ataca-lo, mas o que poderia naquele quarto se tornar uma arma?! Foi ao armário e procurou por algo, encontrou os tacos de golfe do marido. Lembrou-se da discussão que tiveram quando ele chegou em casa com os tacos novos, se arrependeu... uma lágrima caiu de seu pálido rosto, mas aquela não era hora para lágrimas, expulsou-a de suas bochechas manchadas de sangue alheio, respirou fundo e foi até a porta, destrancou-a. Nesse momento uma machadinha arrebenta a porta, ela percebeu que era tarde demais, como último fio de esperança, temendo por sua vida, correu e se trancou no banheiro... apenas alguns segundos para o assassino arrebentar a porta por completo e entrar no seu quarto. Ela sabia que seu taco de golfe não era nada comparado àquela arma que o assassino carregava... ela ouviu seus passos, estava agora a poucos metros dela... Ela podia sentir o gosto morte...

Viu novamente a lâmina da machadinha, sabia que aquela era a hora de morer, desejava aquilo, não aguentava mais aqueles momentos de terror... mal sabia ela o que estava para acontecer.
A porta arrebentou depois de algumas machadadas e um chute. Ela viu a figura daquele monstro, uma máscara com um sorriso macabro e olhos azuis penetrantes. Ela teve a sensação de já ter se encontrado com aqueles olhos antes, em algum momento da sua vida... Pensou rápido e bateu com o taco de golfe em sua cabeça, fazendo a máscara trincar revelando um belo cabelo dourado. Ele cambaleou e caiu, ela aproveitou para sair correndo, mas quando estava quase alcançado a porta, o assassino agarrou seus longos cabelos negros fazendo com que ela caísse no chão. Nesse momento ela soube que ele estava sorrindo...

Ela foi arrastada pelos cabelos escada abaixo, a única coisa que sua visão alcançava era uma lâmina suja de sangue que era carregada pela mão direita daquele homem. Chegou em sua sala de estar, mas notou que ela estava diferente, havia uma maca coberta por um tecido branco imaculado e uma mesa com algumas objetos que não conseguiu identificar.

Então, tudo enegreceu.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cinzeiro de Metal.

A lua brilhava intensamente no céu. Estávamos sozinhos naquela casa incrivelmente aconchegante. Devo confessar que estava nervosa e até com um pouco de medo, não fazia idéia do que iria acontecer.
Sentamos no sofá, um vinho foi aberto, começamos a conversar...conversa interessante, inteligente... De repente, nossos corpos se aproximaram, senti sua pele macia e quente, uma sensação boa percorreu meu corpo.
A conversa continuou, mas agora ela tinha um conteúdo mais pessoal, um tom paquerador. Senti um cheiro diferente, que me deixou viva, descobri que este era o seu cheiro.
Levantei-me e fui a um cômodo no interior da casa, vi um quadro que encantou meus olhos: dois corpos entrelaçados num momento de amor absoluto. Quando me virei, deparei-me com o corpo quente que desejava. Senti seu coração bater acelerado. Senti meu coração bater acelerado. Esse momento foi celado por um beijo.
Meu rosto corado ficou evidente ao voltar para o cômodo iluminado. Sentei-me no sofá. Desta vez, nossos corpos ficaram extremamente próximos, pude sentir sua respiração. Nos beijamos novamente num momento mágico. Em pouco tempo nos tornaríamos a personificação daquele quadro que tanto me encantou.
Mas aquele momento mágico foi se tornando violento, me vi sendo forçada a fazer algo que não desejava.
Minhas mãos encontraram algo maciço e pesado. Este objeto foi de encontro à sua cabeça. Ele caiu, eu corri. Nunca mais me encontrei com aquele corpo que uma dia desejei.


By: Ysa!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Reencontro.

Ela abriu a porta do que um dia foi seu lar. Corpo molhado da chuva que caia intensamente nas estreitas ruas da cidade noturnamente iluminada. Frio, mas não por causa da água gelada que escorria por seu esbelto corpo. O frio que sentia vinha de apartamento agora vazio. Um dia ela foi feliz naquele lugar, hoje, nele reside apenas amargas memórias do que um dia foi uma vida a dois.
O destino havia se encarregado de separá-la do grande amor de sua vida. Nada mais faz sentido agora que ele se foi. Não consegue se concentrar no trabalho, e seu pequeno coração, agora despedaçado, não consegue parar de chorar.
Dúvidas estavam perseguindo sua mente perturbada. Ela se mudou para um apartamento menor, onde a imagem dele não aparece em todos os cômodos de seu lar. Ela o sente ao seu lado, às vezes ainda preparava um jantar para dois ou quando chegava em casa dizia um aconchegante “ Cheguei meu amor’’, e essa era a parte mais dolorosa do processo, perceber que não havia ninguém ali para dividir a comida ou responder seu atencioso chamado.
Sua vida agora levava um ritmo totalmente diferente, ela apenas existia, pois seu fôlego de vida havia sido arrancado de seu interior brutalmente. Ela se deixava afogar na tristeza e solidão. Todos diziam: “Siga em frente, volte a sair com pessoas, conheça gente nova, viva!”. Mas seu coração eternamente apaixonado não a permitia fazer isso, ela sabia que estava traindo seu amor. Isso além da certeza de que seu “eu” iria procura por seu amado em todas as pessoas que se aproximasse.
Ela estava perdendo a vontade de viver, a presença dele cada vez mais se distanciava. A solidão a consumia fortemente. Não queria mais sair de casa, comer ou respirar. Acabou abandonando o emprego e o que restava da sua vida social, não tinha motivos para continuar a viver, ela já estava morta por dentro há muito tempo.
Ela já não atendia ao telefone nem abria a porta de seu apartamento. Todos estavam preocupados.
Então, numa noite chuvosa e fria, arrombaram a porta de seu apartamento. Encontraram-na deitada em sua cama. Ela havia se juntado ao seu amor